MANIAS, MANIAS E MAIS MANIAS

Em outros posts eu já comentei sobre algumas de minhas manias. Ontem mesmo, com relação ao supermercado, falei em algumas coisas: seguir sempre o mesmo caminho, comprar tudo em número par, etc, etc.
O exemplo público mais evidente que temos disso no Brasil é o Roberto Carlos. Principalmente por só vestir azul e não tolerar marrom. Eu me identifico com ele. Imagino o cara no palco, com alguma coisa marrom ao lado dele. Garanto, afirmo, SEI que ele só conseguiria pensar no objeto marrom. Ficaria totalmente desconcentrado.
Voltarei a isso adiante, mas quero contar algumas de minhas manias. Por favor, ninguém se aproprie delas. Cada qual continue com as suas próprias.
Contar. Para beber um copo de água são necessários 5 goles. Parei de digitar e fiz o teste de novo. Exato. Cinco goles. Papai bebe em 3! Isso eu decorei. Mas eu conto na cabeça o tempo todo. Conto até meus passos. Mas aprendi a não prestar muita atenção. Prefiro não decorar quantos passos me levam do escritório ao meu quarto, ou do carro até a cozinha.
Fazer conta com as placas dos carros. Se o número for divisível por 3 é o nirvana! Mas vale comparar os 2 primeiros algarismos com os outros 2, para ver se encontro alguma relação entre eles. Ah, se um for múltiplo do outro eu quase pulo de alegria!
Tá bom, agora vamos procurar um livro na estante. Não, um CD, para ouvir música. Claro que temos que começar na ponta esquerda da prateleira de cima, porque se não fizermos assim, jamais encontraremos o item em questão.
Possuo exatamente 752 livros. (Agora são 753, por causa da Divina Comédia traduzida por meu avô.) Catalogados em uma tabela do Excel, organizados por categoria, autor e título. Sim, estão guardados no armário na ordem exata. Claro, da esquerda para a direita. A tabela do Excel tem várias planilhas, de modo que posso encontrar o livro em questão procurando por categoria, por autor, por título em português ou pelo título original (no caso das traduções, claro).
Talvez a mania mais marcante seja a da simetria. Obviamente, as coisas todas deste mundo deveriam ter um lado exatamente igual ao outro, caso fossem dobradas ao meio. E é aqui que volto ao marrom do RC. Uma coisa fora de simetria me perturba profundamente. Só consigo olhar para aquilo.
Logo que comecei a fazer terapia, uma tragédia: o piso do consultório era de cerâmica quadrada. A estante não estava colocada simetricamente sobre as lajotas. Sobrava mais de um lado do que do outro. Eu passava a sessão inteira olhando para aquilo, imaginando que levantava e acertava a estante. Um dia, não aguentei e comentei com a psicóloga. Rimos um bocado. Na consulta seguinte, ela havia acertado a estante, para me deixar mais à vontade. Aí, tragédia maior, quase um tsunami: ficou à vista uma tomada torta!!!!!!!! Aguentei algumas semanas, mas, um dia, não deu mais e falei. Ela riu e brincou que estava até pensando em me dar alta, mas que, tendo em vista esse “probleminha” achava melhor adiar. Concordei.
Pensando em meu conforto, ela  colocava uma almofada na frente da tomada antes da minha consulta. Eu, grata do fundo do coração, me sentava no sofá e pensava:
– Ali, atrás daquela almofada, tem uma tomada torta! Ali, atrás daquela almofada, tem uma tomada torta! Ali, atrás daquela almofada, tem uma tomada torta! Ali, atrás daquela almofada, tem uma tomada torta!
Isso só durava uma hora (o tempo da consulta, claro). Ai, como sofro!
Só rindo, e muito.

Não esgotei o tema. Meu conjunto de manias tende ao infinito. Mas creio que isso basta para dar uma ideia do quadro geral.
Agora pode rir. E lembrar de mim quando assistir The Big Bang Theory.

MALUQUICES NO SUPERMERCADO

Fui ao supermercado hoje. Eu AUDEIO supermercados, com toda a força de minha fúria assassina. Que fazer? É uma das poucas tarefas de dona de casa que eu realizo.
Coisas engraçadas acontecem, claro.
Um grande problema para uma pessoa altamente obsessiva, como eu, é não enxergar soluções fáceis para as dificuldades. E, quando o caso é mercado, eu fico totalmente cega.
Há vários anos, eu só fazia compras no Carrefour. Dava aula para os adolescentes na igreja, e, um dia, não me lembro a troco de quê, comentei com eles sobre a raiva que eu sentia do supermercado. Falei que tinha que conviver com isso, já que preciso abastecer a casa. Gustavo Foizer me perguntou, com a maior simplicidade:
– Ué, tia Cláudia, por que você não vai ao Pão de Açúcar?
UAU!!!!!! Que garoto esperto! A pergunta do Gu me fez ver que eu não sou obrigada a frequentar um determinado estabelecimento. Posso mudar a meu bel prazer. Como eu nunca tinha pensado antes em fazer as compras em outro lugar? Já respondi antes: sou obsessiva, não enxergo isso.
Depois que o Gu me ensinou isso na aula em que eu deveria ensinar alguma coisa a ele, adquiri outra obsessão: procurar um mercado que me agrade. Já frequentei quase todos em Brasília.
O mais próximo aqui de casa é o Extra. Foi o meu carrasco por algum tempo. Mas lá tem uma coisa que eu detesto: uma mulher anunciando as ofertas o tempo todo pelo microfone. Pior do que mercado, só mercado com a mulher me enchendo a paciência. Eu passo o tempo todo corrigindo os erros de português. E não compro DE JEITO NENHUM, só de birra, o que ela anuncia.
Mudei para o Walmart. Silêncio. Musiquinha de fundo. Suportável.
Não sei se todos sabem, mas todos os mercados têm um caminho. Eu sigo por ele, sem me desviar nem para a direita, nem para a esquerda. Se esquecer alguma coisa, nada de voltar. Fica para a próxima compra. Ou peço ao Sérgio para ir a um mercado e comprar para mim.
Algumas coisas a pessoa tem que comprar todas as vezes: Nescafé, papel higiênico (tem uns mil rolos aqui em casa, mas eu não consigo não comprar), ossinhos para os cachorros, escova de dente (tem umas mil também), sabonete (idem) e outras coisitas mais.
Penso que, como vou sozinha, é no mercado que dou mais liberdade às minhas obsessões. Não tem ninguém para achar esquisito.
O carrinho tem que ter todas as coisas em número par. Como comprar 3 latas de leite condensado? Tem que ser 2 ou 4.
Outro dia, enfrentei uma situação extrema. Peguei na prateleira uma (só uma pode) caixa com vários sabonetes. Continuei as compras e, perto do final, verifiquei que ela continha 5 unidades. Pânico total. O que fazer? Voltei para a prateleira. Devolvi a caixa e comecei a discutir comigo:
– Não vou levar, tem 5.
– Isso é loucura. Vou pegar.
– Tá esquisita essa caixa aqui dentro do meu carrinho. Tem 5!!!!!!
– Já sei. Pego um avulso.
– Não tá combinando. Vou devolver o avulso.
Parada ao lado da prateleira, eu sentia um incômodo profundo. Como tenho anos de terapia, consegui vencer a maluquice e decidi comprar a caixa com 5 sabonetes. Minha sensação era de que ela era do tamanho de uma geladeira. Só pensava naqueles 5, ímpar!
Me sentindo completamente inadequada, paguei as compras. No caminho para casa, me dei conta do que todo mundo já pensou:
– Ah, eu podia ter comprado duas caixas!
É assim. Não consigo raciocinar. Dá para entender por que acho o Sheldon Cooper tão engraçado?
E preciso dizer, também, que tanto o Sérgio quanto a Dani já se ofereceram para assumir essa missão de ir ao mercado para mim, mas, em minha obsessão, não consigo passar para eles. Vai entender…