36) E NÃO É QUE CRESCERAM?

Domingo fiz uma coisa feia. Matei aula. E da Escola Dominical! Pior ainda, fiquei conversando com outro aluno que também matou aula!

Tanto Amadinha quanto Jezreel hão de nos perdoar. Tínhamos ideias importantes a trocar. No meio de muitas coisas sábias que ele me falou, contou que leu a Bíblia de “cabo a rabo”, sem parar para meditar em cada passagem que chamava a atenção. Leu para captar o todo, o enredo completo. Falei que tinha vontade de fazer o mesmo há muito tempo, desde que li em um livro de Philip Yancey (creio que foi Decepcionado com Deus) que ele tinha feito isso. Conversamos sobre muitos outros assuntos. Que cara maduro! Não é à toa que é coordenador do Ministério de Ação Social da Igreja.

Resultado de nossa conversa: comecei na segunda-feira a tal leitura. Já estou em Levítico, e estou gostando muito. Contei até 7 vezes que li a Bíblia inteira, mas sempre aos pedaços, poucos capítulos a cada dia. Essa nova experiência tem me mostrado, como eu esperava, o enredo maior da história humana com Deus. Valeu, Danico!

É, isso mesmo. O homem sábio com quem conversei no domingo de manhã foi o Daniel Pinto Teixeira, o Danico, o Balboa. Quando foi que esse menino cresceu? Caramba, eu o peguei no colo! E agora ele me dá conselhos.

Coisa boa é ver a galerinha de quando eu trabalhava no Ministério Infantil circulando na vida adulta com segurança, sabedoria e fé.

De vez em quando, durante o louvor, eu paro e fico olhando Deco, Sidartha e Dudu. Fico maravilhada, chego a chorar, porque, com todas as falhas que a igreja possa ter tido, eles se mantiveram firmes no caminho do Senhor.

E não são só eles. Todos os que eram crianças junto com meus filhos e, hoje, estão circulando nos meios adultos, obtendo sucesso, chorando, rindo, vencendo e perdendo (às vezes), construindo a vida da melhor forma possível.

Amo conversar com cada um! Lúcia, a minha Lucíola, me ensina sobre alimentação! Luísa é advogada! Parece que foi ontem que ela deitava na minha cama, entre eu e Sérgio, para assistir filme, e ficava empurrando o Sérgio, dizendo que ele estava atrapalhando. Dasinho tem tanta sabedoria diante da vida, é difícil encontrar um adulto com tanto amadurecimento. Outro dia fiquei presa fora de casa. Fui salva pelo Lucas. Como assim? Ele escrevia o nome dele com faca na minha mesa!

Quando a Marina estava no início da gravidez do Gustavo, Tininha organizou um churrasco para a equipe de louvor. Juninho e Luciana estavam com a Sabrina, e ela tinha que comer. Só que não queria. Luciana insistia, e ela insistia para ir para o chão (estava no carrinho). De repente, apelou:

– Tio Duda, me ajuda!

Todos rimos, mas eu levei um susto. O Dudinha era o responsável pelo socorro. Não sou mais eu!

E eu amo ver essa galera com os filhos. No casamento do Xande (olha aí), Rafa conversou muito comigo sobre a nova direção que quer dar para a vida profissional dele, por causa da Maria Eduarda. Aliás, fico profundamente comovida quando paro e observo os pais e mães que eles todos são. Cada um. Os que citei pelo nome e os que não citei. Os que chegaram na igreja na barriga da mãe, ou os que chegaram maiorezinhos.

Todos esses, os adultos jovens de hoje, casados ou não, enchem meu coração de alegria e orgulho. E eu pergunto: quando foi que eles cresceram? Parece que nem vi…

Quero fazer um comentário especial sobre a Luciana Villar. Ela foi das que chegaram já grandinhas à igreja. E estou encantada com o trabalho que ela vem fazendo com nossas crianças. Parabéns, Luciana! Você é uma bênção na nossa comunidade! Daqui a alguns anos, vai viver o que estou vivendo hoje, e vai se alegrar ao ver que suas criancinhas também se tornaram adultos consagrados a Deus.

35) QUERIDO DIÁRIO

Domingo, 24 de junho de 1973

Oi, diário!

Meu dia hoje foi ótimo, como todos os domingos.

Levantei cedo (6:30) – essa parte nunca é boa, mas… Mamãe já estava na cozinha fazendo almoço, claro. Fiquei alegre porque era lagarto, estava na panela. Peguei o pão e coloquei do molho da carne. Sempre gosto de comer isso domingo de manhã. 

Claro que saí em cima da hora. Fui correndo para a W3, Leonora já estava lá e logo seu Fábio e dona Priscila chegaram para pegar a gente na Kombi. E fomos para a Ceilândia. Eu queria que a Escola Dominical de lá fosse mais tarde, porque 8:00 no domingo é cedo demais… Mas vale a pena, porque tinha mais de 50 crianças só na minha sala. Estava frio. E eu não gosto de ficar de casaco, porque meus alunos não têm casaco. Deu tudo certo. Depois da Escola Dominical, tivemos nosso lanchinho gostoso na casa da dona Gabriela.

Faz uns três domingos que Edgar comentou com ela que nunca tinha visto ninguém aproveitar casca de banana. Ela disse que ia inventar alguma coisa. Ele duvidou. E hoje nós comemos… geleia feita com casca de banana! Estava uma delícia. Ela só contou depois que a gente tinha comido e elogiado. Dona Gabriela é capaz de tirar água de pedra. Que mulher fantástica!

Fomos para nossa igreja. Ainda pegamos a sala. Papai fazendo o “Olho Morto”. A equipe feminina deu uma lavada na masculina. Bem feito pra eles, muito metidos.

Hoje o Clube Bíblico foi na 310 sul, na casa de um garoto novo na turma, nem decorei o nome dele ainda. A Bette passou aqui e a gente foi batendo papo. Tinha 97 jovens na reunião! Daso está preocupado, porque agora o grupo não cabe em todas as casas, e está ficando difícil reunir um grupo tão grande. Mas esse é um bom problema! 

Dei uma passada rápida em casa para tomar banho e me aprontar. Claro que chegamos todos atrasados para o ensaio do coral. Lá estava dona Belkiss nos esperando, com aquela paciência infinita dela. Mas deu tudo certo. Cantamos, o culto foi legal. Estamos todos gostando do rev. Garrison.

No domingo que vem outras pessoas vão dirigir o Clube Bíblico, porque o Ele Vive vai cantar no Hospital Sarah Kubitschek. Dona Maria Luiza conhece um cara que sofreu um acidente horrível. Morreu a mulher, morreram os filhos, e ele ficou na cadeira de rodas. Está internado lá. A gente vai visitar e vai cantar nas outras enfermarias também.

Depois do culto, como sempre, lanche no Truc’s. Ih, demorei demais para chegar em casa, papai estava bravo!

Tirando a bronquinha, o final de semana foi super legal!

A anotação no diário é fictícia, mas retrata com fidelidade a programação dos adolescentes e jovens da década de 70 na IMAS. Domingos inteirinhos dedicados ao trabalho do Senhor. “Tenho contra ti que abandonaste o teu primeiro amor” é uma palavra que pesa sobre mim quando me lembro da paixão que nutria pela obra do Senhor naqueles anos.