EU E O GUGA

A maioria de meus amigos jogava tênis. Joga até hoje. Nunca me interessei muito. Não sou muito esportiva, e não gosto de competir. Bem, na verdade, não suporto perder, então evito a competição para não me aborrecer.
No entanto, gosto de acompanhar todo tipo de esporte, especialmente aqueles nos quais atletas brasileiros se destacam. Então, claro, futebol, fórmula 1, vôlei e basquete já faziam parte da minha lista de interesses.
Mas surgiu um rapaz magrelo, com roupa de pilha, e venceu Roland Garros. Eu nunca tinha ouvido falar nele. Guga Kuerten. Comecei a acompanhar. Cada jogo, uma nova emoção. Aprendi a gostar de tênis. Fui para a quadra, tive aulas. Amei!!!!!! Infelizmente, uma lesão no ombro me forçou a deixar, mas desfrutei de muitos momentos deliciosos na quadra, apesar de ter sido sempre péssima.
O Guga, ao contrário, continuou a subir. Foi deixando de ser garoto, virou gente grande. E eu acompanhava de longe. Chorava e ria com ele. Admirei, como admiro até hoje, a capacidade dele, e da família, de sorrir nos momentos de vitória. Eu choro, eles riem.
Um dia, ouvi da namorada do meu filho, depois daquele jogo inesquecível contra o Cafénocopo:
– Quando você olha para ele, parece que está olhando seu filho, porque você fica sorrindo, com orgulho.
É, eu sinto orgulho. Como se eu tivesse alguma participação no sucesso dele. Talvez tenha, porque sempre peço a Deus para cuidar dele. Eu não chego lá, mas Deus chega.
No ano passado, quando ele comunicou no Twitter que haveria o desafio contra o Agassi, talvez eu tenha sido a primeira pessoa a dizer que ia. E fui. Moro em Brasília, mas eu, Sérgio e nossas filhas fomos. Que noite! Jamais esquecerei. Chorei e ri. Cantei, gritei. Vibrei quando o talento dele se manifestava, inabalável apesar do tempo que passou.
No dia em que Guga parou, na Costa do Sauípe, ele pediu desculpa ao público por não conseguir mais jogar. Eu queria dizer a ele que não tínhamos o que desculpar. Temos muito a agradecer. Eu, pelo menos, tenho.
Em Paris, fiz questão de ir a Roland Garros. Lá estavam, no museu, as cenas de jogadas fantásticas do garoto magrelo, passando o tempo todo na tela. Depois, outras, quando ele já não era tão mais tão garoto. Enchi-me de orgulho mais uma vez. Que “menino” fantástico!
Sou muito grata ao Guga por me fazer descobrir o tênis. Sou grata a ele por me fazer crescer como pessoa, ao expor suas dificuldades, suas lutas. Muitas vezes, acompanhando os jogos no final de sua carreira eu dizia:
– Para, Guga! Chega de sentir dor! Você já nos deu muitas alegrias.
Eu não sabia, mas depois de deixar as quadras, ele continuaria a alegrar seus fãs, de formas diferentes, mas ainda alargando fronteiras, servindo de exemplo aos mais jovens e aquecendo o coração das que têm idade para ser sua mãe.
Sendo assim, muitíssimo obrigada, Guga!

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