CASA PENHORADA!!!!!!!!!!!!!

Moramos numa casa deliciosa. De madeira. Do tamanho certo para nós. Com piscina, churrasqueira, jardim gostoso, jabuticabeira, limoeiro, “aceroleira”, pitangueira. Deus nos deu tudo de presente, num tempo em que era impossível isso acontecer. Do jeito que só Ele sabe fazer, em tempo recorde, aqui estávamos nós, em nosso imóvel quitadinho da silva.
O local onde moramos também é algo especial. São oito terrenos. Entre os donos das casas, os pais e mães, há quatro irmãos e duas irmãs. É meio complicado de entender, e não vou tentar explicar. Eu e Sérgio não somos parentes de sangue de nenhum dos outros, mas, como costumamos dizer, é “taliquali” – tal e qual se fôssemos. Crescemos juntos na igreja, cultivamos uma amizade muito mais profunda do que amizade. Vovó dizia que era um pedacinho do Céu. Pode-se dizer que parece muito.
Um dia, logo que nos mudamos para cá, apareceu em nossa casa uma oficial de justiça. Intimação para pagarmos uma grande quantia devida pelo aluguel de duas lojas em um shopping. O fato é que havíamos sido sócios de uma rede de lanchonetes. O costume na empresa era ao alugar uma loja para uma nova lanchonete, dois dos sócios serem fiadores. Tudo certo, éramos fiadores de nós mesmos. Vendemos nossa parte, e não nos lembramos disso. Além disso, na época, a empresa crescia a olhos vistos, não havia motivo para preocupação.
Muita gente pode pensar que é pretensão minha – tô nem aí – mas, sem a competência, integridade e prudência do Sérgio, a equipe que passou a dirigir a empresa que prometia tanto levou-a à falência. Quebrou. Sumiu. Desabou. Acabou. Ficaram devendo a inúmeras pessoas em Brasília.
A intimação era para pagar o aluguel de duas lojas da empresa em um shopping em Taguatinga. E o sócio que foi fiador conosco tinha morrido anos antes. Tomou um vidro de remédio para dormir e saiu dirigindo pela cidade. Acabou enfiando o carro de frente em um caminhão. Não suportou a barra da falencia.
Sérgio procurou o líder da “competente” equipe, que, do alto de sua elegância, enfiado em um terno bem chique, afirmou que havia pago tudo, que era um engano, e que encontraria os recibos. Você encontrou? Nem ele, claro. Tudo mentira. E é bem provável que ele estivesse devendo a prestação do terno.
O advogado a quem recorremos pisou na bola. Disse que não havia risco algum, já que o único bem que possuíamos era nossa casa, que seria impenhorável. Não era o caso. Ele estava enganado.
O tempo passou, o processo foi julgado e nossa casa, penhorada. Não tínhamos, como não temos hoje, como pagar a dívida contraída pela ineficiência e desonestidade de outras pessoas. Tenho muita raiva ao contar isso. Ainda falta um longo caminho a percorrer até conseguir perdoar.
No entanto, apesar dessa espada de Dâmocles (da mitologia grega – uma espada ficava pendurada sobre a cabeça de Dâmocles e, em algum momento, a espada cairia, mas ele não sabia quando seria, vivia esperando), somos muito felizes aqui, vivemos com tranquilidade até o dia em que a espada cair, se é que Deus vai permitir que ela caia. Algumas coisas incomodam, porque, após 16 anos, já precisamos fazer algumas reformas e mudanças na casa, mas não vamos investir sem saber o que nos espera.
Quando os irmãos de José estavam apavorados, com medo da vingança que ele armaria, já que se tornara poderoso, apesar de ter sido vendido como escravo, ele falou para eles uma coisa que eu gostaria de dizer ao principal culpado por todo esse problema:
– Você praticou o mal contra mim, mas Deus transformou o mal em bem.
Parece mentira, mas essa tem sido a realidade. Eu e Sérgio não ficamos apregoando esse problema, não ficamos o tempo todo choramingando essa provação que já dura bem mais de 10 anos. Muitos de nossos amigos mais chegados e parentes não sabem de nada. Mas, toda vez que contamos, recebemos alguma manifestação comovente de amizade e compreensão. Como contei em meu post Sempre Cercada, Deus tem usado, também nessa situação, pessoas especiais como instrumentos para nos confortarem e animarem. Algumas situações foram mais tocantes e eu gostaria de contar.
Uma foi por parte do Rafa Coimbra. Sérgio viajou com um grupo, do qual o Rafa fazia parte, para esquiar (sim, a gente faz todas as coisas normais, como se a espada não estivesse pendurada, porque quem segura a espada é Deus, e ela só vai cair quando e se Ele permitir). Certa noite, conversando, ele contou para algumas pessoas a história toda. Rafa se indignou.
– Mas vocês não podem sofrer por causa da safadeza de outra pessoa!
Pediu para ver o processo, levou para o professor dele ver se havia algo a fazer, de vez em quando nos pergunta em que estágio está. Como chegamos à execução de sentença, e só resta agora contestar o valor, ele não tem o que fazer, mas sempre reafirma que está orando. Tão bom sentir o carinho por nós, a indignação do menino que vimos nascer diante de uma injustiça contra nós! Isso é mal transformado em bem. Alivia meu coração.
Outra vez foi o pr. Ibi. Ele nem é nosso pastor, é da igreja da Clarice. Saiu uma sentença contrária a nós (como todas até hoje), mas nossa família estava toda na praia, e nós aqui sozinhos com mais essa bomba no colo. Clarice ligou de Porto de Galinhas para o pr. Ibi, ele conversou com a filha advogada para ver se podia ajudar, telefonou para mim, orou comigo, por mim e pelo Sérgio. Apesar de pastorear uma igreja enorme, com gente com todo tipo de problema, encontrou tempo para nos apoiar, para ser solidário. Jamais teríamos recebido tal demonstração de afeto se o mal não tivesse sido tramado contra nós.
Eu poderia contar inúmeras outras situações, pessoas que nos ajudam, que ficam revoltadas diante da injustiça do que está acontecendo. Mas essas duas situações acima já dão para ter uma ideia do que tem acontecido constantemente durante esses anos.
Domingo, no entanto, aconteceu um fato que me comoveu ainda mais.
Foi aniversário da Amanda. O avô paterno dela (Clarice e o pai da Amanda são separados, mas as famílias costumam se reunir nos aniversários dela – já falei sobre isso em um post também) disse ao Sérgio que queria conversar um pouquinho com ele. Foram os dois para um canto mais isolado, ele perguntou sobre a doença, a cirurgia, os próximos passos do tratamento e, depois, falou que tinha ficado sabendo do processo. Ele é advogado e pediu para o Sérgio contar os detalhes. Sérgio explicou tudo, falou que o estágio já é de execução de sentença, que não há muito mais o que fazer, a não ser esperar. Seu Silas não pensa assim. O que ele queria era oferecer ajuda. Pediu para ver o processo, disse para o Sérgio não perder a esperança, que ele vai tentar encontrar alguma saída. Vai conversar com o sócio dele, ver se podem fazer alguma coisa.
Pensa em como é tocante a atitude desse homem: ele não tinha a menor obrigação de fazer isso. O filho dele e minha irmã são separados. Ele não precisava se envolver. Se comentasse que sabia e desse um tapinha nas costas do Sérgio já teria demonstrado compreensão. Mas ele fez questão de ir além. Quer tentar fazer alguma coisa. Quem sabe consegue enxergar um pequeno detalhe que ninguém mais viu? Quem sabe encontra uma brecha, alguma coisa que possa mudar o quadro?
Duvido muito que a pessoa responsável por todo esse problema receba esse tipo de manifestação genuína, apesar se seu terno chique. Com certeza, tem muitos amigos de fachada, mas de verdade, desse calibre, não acredito.
Clarice um dia sugeriu que o processássemos também. Só rindo. Teríamos que entrar numa fila de mais de 20 credores. Não ri da Clarice, ri da situação ridícula. Com toda pose que o tal sujeito aparenta, quem conhece só um pouquinho da história dele sabe que tudo não passa de uma máscara.
São quase 3 horas da manhã. Nossa casa penhorada está tomada pela paz. Com a consciência tranquila, Sérgio ronca num sono reparador. Nossos filhos estão deitados em suas camas aconchegantes. Até os cachorrinhos dormem tranquilos. A paz de Deus, que excede todo entendimento, reina aqui em nossos domínios. Estou acordada curtindo o silêncio. Gosto de ficar acordada à noite, quando isso acontece de forma espontânea, sem ser por preocupação.
Onde andará quem planejou o mal contra nós? Duvido que tenha a mesma paz.
Se um dia Deus soltar a espada e tivermos que nos mudar daqui, iremos levar nossa paz, tranquilidade, amor, amizades e tudo mais para o outro lugar onde formos morar. Bens materiais vêm e vão, mas há coisas que são eternas. E é nelas que investimos.
Mas, como nota final, gostaria de dizer que seria um grande sofrimento. Não quero, nunca, perder o ninho que construímos aqui. Se acontecer, será muito difícil. Mas sei que continuarei cercada pela presença de Deus, como temos sido todos os dias até aqui.

Um comentário sobre “CASA PENHORADA!!!!!!!!!!!!!

  1. Caramba!! Estou aqui com um nó na garganta e um avontade enorme de chorar, tenho que me controlar pq estou no trabalho, mas queria que voce soubesse que se eu não posso fazer nada de concreto, posso orar tambem, junto com tantas outras pessoas para que a boa mão do SEnhor continue sobre a vida de voces e sobre o lar que ele lhes deu. Amo voces e sofro e sonho junto. bjus e fiquem com Deus. Sua prima, Eloina

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