PROVADO PELO FOGO

Os cactos me encantam. Tanto pelos formatos diversos quanto pela capacidade de sobreviver em ambientes inóspitos.

Fiquei maravilhada quando vi pela primeira vez a famosa flor do maracatu. Como uma planta que vive na areia ou na terra seca, recebendo pouquíssima água, é capaz de produzir uma flor tão linda? Sinal do capricho de Deus nos mínimos detalhes da criação. Beleza por toda parte. Como dizia minha vovó, temos que nos esforçar para sermos mais belos, porque a natureza mostra a atenção que o Criador dedica para tornar tudo mais bonito.

Em minhas corridas, descobri um cacto lindo no meio do cerrado. Provavelmente, interferência humana, porque não é o habitat natural dele. Mesmo assim, ele estava repleto de botões de flores. Bem grande, imponente.

Todos os anos, durante a seca, a faixa de cerrado intocado que fica na frente de nosso condomínio acaba sofrendo com o fogo. Este ano, quase conseguiu passar ilesa, mas, certa tarde, lá veio a queimada. Os bombeiros agiram rápido, porém meu amigo e seus botões de flores estavam no meio da fogueira. Fiquei triste. Pensei que as flores iam acabar, que ele ia acabar, ou ficar muito debilitado para florescer.

 

Pelas fotos, dá para ver que eu estava enganada: a parte externa foi queimada, o mato que o cercava também. Ficou, contudo, a essência dele. A parte central.

Eu pensei em mim. A Bíblia diz que somos provados com fogo. Aquilo que está por fora, que não está muito de acordo com minha essência, é queimado. Mas o centro, o que Deus criou, continua vivo, continua firme, verdejante.

Passando ao lado do meu amigo todos os dias, reparei que ele começou a soltar outros botões de flores.

 

 

Sim, no meio do mato queimado, das partes exteriores ainda chamuscadas pelo fogo, lá vêm as flores. O fogo fortaleceu meu amigo. Ele está agora muito mais cheio de flores do que antes da queimada.

Há uma música que cantamos na igreja e que parte da letra me desagrada muito. Diz: “tudo que há dentro de mim precisa ser trocado”. Não concordo com isso, porque a Bíblia afirma que Deus me formou ainda no útero da minha mãe, que ele teceu meu ser. Se TUDO que existe dentro de mim precisa ser trocado, então Deus criou tudo ruim. Há, dentro de cada um de nós, uma essência que Deus criou, segundo ele achou melhor. À medida que a vida transcorre, vamos adquirindo ramificações em volta dessa essência. Algumas boas, outras ruins. Deus usa muitos instrumentos – o “fogo” – para nos livrar delas, e nos deixar prontos para que de nosso ser brotem flores lindas, que vêm daquele essência que ele criou, aquela que o fogo não alcança.

Cabe a mim seguir o exemplo do meu amigo: permanecer firme durante a queimada, continuar em pé depois dela, e usá-la para me fortalecer e produzir flores ainda mais belas. Tomara que eu consiga…

SECURA

Um conselho para todos que passam os dias se lamuriando e murmurando por causa da seca em Brasília: BEBAM ÁGUA!!!!!! E parem de reclamar. Ponto final.

Estou até ouvindo:

– Mas eu bebo muita água.

Se seu xixi não está quase da cor da água e quase sem cheiro, se você continua sentindo a cabeça “pesada” ou doendo, seu nariz está entupido, sua boca está seca, ou se está “mole”, sem forças, eu afirmo: VOCÊ NÃO BEBEU ÁGUA SUFICIENTE!

Uma vez me disseram que eu bebo água demais e que isso não é bom para os rins. Procurei meu amigo dotô Jezreel e perguntei se era verdade. Ele, que entende muito de rins, já que os dele causam preocupação, me informou que posso beber quanta água quiser, que não existe isso de excesso de água fazer mal.

É tão fácil resolver o problema, e fica todo mundo resmungando o tempo todo.

Nesta época do ano os ipês amarelos florescem. Uma das coisas mais maravilhosas que Deus criou. Basta olhar à nossa volta e lá estão eles. Plantados por toda a cidade.

O show dos ipês é longo.

Primeiro, no início do período de seca (vou fazer uma pausa e beber água, porque estou com a boca seca…) – pronto, bebi logo dois copões – são os ipês cor de rosa. Delicados, prenúncio do que há de vir. Depois, surgem os roxos. Eram os prediletos da minha avó, que pronunciava “ipêroxo” (com apenas um r mesmo). Então, preparado o cenário, eles explodem! Os amarelos. Cachos maravilhosos, que se espalham pelo chão. Parecem bolas nos galhos sem folhas.  No final, para encerrar o espetáculo com um momento de calma, os brancos se manifestam. Discretos, com a função de aquietar nossos olhos empolgados com a vibração amarela.

Enquanto tudo isso, e muito mais, acontece no cerrado, as pessoas se arrastam de um lado para o outro, resmungando contra a secura do ar.

Siga meu conselho: beba água até quase se afogar e contemple os ipês amarelos. No ano que vem, você vai gostar da estiagem de nossa linda cidade. E vai aproveitar para agradecer a Deus as maravilhas que ele espalha pelo nosso caminho.