O QUE ELE VAI FAZER COM A GENTE??????

Serginho foi um dos bebês mais bonzinhos que já vi. Dormia bem, mamava como um reloginho, de três em três horas. E só acordava para mamar. Nunca teve cólica. Com dois meses já dormia a noite toda.
A mãe dele, bem, teve depressão pós-parto. Ele dormia, Sérgio dormia e eu chorava. E eu não tinha coragem de contar para ninguém. Foi tão difícil que falei que só teria o Serginho. Não queria outros filhos.
Mas… engravidei. Serginho tinha quatro anos. Desde o início, decidimos pela ligadura das trompas no parto. Aos quatro meses de gravidez, SURPRESA!!!!! São dois bebês! Quem estava decidida a ter um filho ia ter três. Aí a decisão ficou ainda mais “decidida”.
Só que as coisas, claro, não correram exatamente como prevíamos. Tive pré-eclampsia e Flávia e Daniela, tadinhas, foram “extraídas” com 36 semanas de gestação. O médico avisou: cesariana de alto risco, nem pensar em ligadura de trompas. Na verdade, nem a gente estava lembrando disso. Tanta preocupação comigo e com as duas não deixavam lugar para outros pensamentos.
Tudo correu bem. Elas eram pequenininhas, mas saudáveis. Dois dias de incubadeira, mais alguns em bercinho aquecido e… CASA!!!!! Viva! Colocamos as duas nos bercinhos e olhamos um para o outro:
– Ai, e agora!
Sérgio me surpreendeu. Na hora, sem eu nem precisar dar a ideia, ele falou que faria a vasectomia. Muito mais simples do que abrir de novo minha barriga. Assim foi. Quando as meninas tinham um mês ele fez a cirurgia. Foi e voltou sozinho. Chegou em casa andando meio esquisito, deitou e tinha que ficar com um saco de gelo no… bem, no saco.
Serginho, sempre muito esperto, viu que tinha alguma coisa errada com o pai e, na hora do almoço, me perguntou:
– Mãe, o que aconteceu com o pai?
– Nada, filho. Ele só fez uma cirurgia, porque não quer ter mais filhos.
Não perguntou mais nada, não expliquei mais nada. No dia seguinte, de novo no almoço, ele me perguntou:
– Mãe, o que o pai vai fazer com a gente?
– Ué, filho, não entendi. Fazer com vocês?
-É, você falou que ele não quer mais ter filhos. O que ele vai fazer com a gente?
Tadinho do meu filho! Um dia inteiro imaginando se o pai dele ia mandar os três para o orfanato, ou dar para alguém, ou largar na rua! Expliquei que a gente não queria que nascesse mais nenhum, mas que estávamos muito felizes com os três que Deus nos deu. Assim como estamos até hoje…

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