Uma notinha rápida para te contar, Bloguinho, que hoje, depois de não sei quanto tempo, vi meus “zoinhos”. Continuam castanhos.
Voltei a usar as lentes de contato hoje, de modo que pude me afastar do espelho e ensaiar os mais encantadores sorrisos que vou usar daqui em diante. Posso garantir que vou encantar multidões.
Falando sério, enxerguei muito melhor. Realmente, minhas pálpebras estavam chegando aos joelhos. Que tragédia! E eu não percebia.
Uma das tristezas da depressão é nos cegar para a percepção de nós mesmos. Ou, pelo menos, não permitir que enxerguemos as soluções para problemas simples. Ainda bem que a “mardita” se foi.
Há alguns anos, uma revista descreveu os olhos de uma famosa (não lembro qual) como “castanhos mel escuros”. Ou seja, esse castanho que todo mundo tem. Mas para a famosa eles precisavam inventar uma expressão poética.
Pois, de agora em diante, declaro e determino que meus olhos passam a ser castanhos mel escuros. Olha eles aí, se esbaladando com pão, queijo e vinho no Chateau de Chenonceau:
Mês: novembro 2010
NAQUELA MESA TÁ FALTANDO ELE – Homenagem a meu sogro "Salim"
Essa parte da música de Sérgio Bitencourt sempre me comoveu, desde que a ouvi, ainda criança. Ele começa falando sobre onde a pessoa, hoje ausente, costumava se sentar, e chega a esse refrão triste.
Hoje (bem, como já passou da meia-noite, ontem) seria aniversário do meu sogro. Deus o levou para o Céu no dia 6 de dezembro de 2004. Foi um susto. Numa segunda-feira, ele me abraçou e orou comigo pedindo a Deus para me consolar pela morte de uma criança preciosa, de cinco anos. Na segunda-feira seguinte, ele sofreu um AVC. E, na segunda-feira depois dessa, morreu. Ficamos todos atarantados.
Nos almoços de domingo, sentávamos sempre nos mesmos lugares, eu à direita dele e Sérgio à esquerda. Por isso a falta que ele faz à mesa. Mas não é só lá.
Conheci meu sogro quando ainda era criança. Ele era pastor de outra igreja metodista em Brasília, e sempre o via. Mas no púlpito, ou dirigindo reuniões. Achava que ele era muito bravo e sério. A convivência me mostrou um homem engraçado, tranquilo, sempre pronto a perdoar, disposto a amar qualquer pessoa que se dispusesse a se aproximar dele.
Carinhoso, tinha formas de tratamento especiais para cada um de nós. Sérgio era “meu barão”; Serginho, o primeiro neto, “meu primogênito”; Marta, “minha boneca”; eu, “minha joia”. Não lembro todos, mas esses já dão uma ideia do que digo.
O pastor bravo só existia na minha impressão de criança. O fato era que levava muito a sério sua função e não brincava em serviço. Mas, na família, a história era outra. Foram 26 anos de convivência, e percebi nele um processo de envelhecimento de causar inveja. Muitas e muitas vezes eu já disse que quero que o meu caminho seja parecido com o dele.
Vejo muitos idosos se tornarem intolerantes, irritadiços, implicantes, mas ele fez o contrário. Quanto mais o tempo passava, mais suave ele se tornava. Não transigia em seus princípios, mas sabia tratar com tolerância os que pensavam de outra forma. Adquiria cada vez mais a capacidade de rir de si mesmo, de ver graça na vida. Com isso, o tempo passava e os jovens se achegavam cada vez mais a ele, ao invés de o “deixarem de lado”.
Há dois anos, exatamente no dia que seria aniversário dele, minha leitura bíblica resumiu esse meu desejo para a minha vida, está em Hebreus 13:7. Como não acredito em coincidências, vejo um recado de Deus, confirmando que tentar imitar a vida de meu sogro é o caminho certo para mim. O versículo diz:

